Na USP, profissionais e estudiosos debatem o que é o jornalismo hoje

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Saturação do mercado, condições precárias de trabalho, mudança de um jornalismo de informação para um jornalismo ancorado em práticas do marketing. São muitas as controvérsias envolvendo o jornalismo não só como atividade profissional, mas como serviço à sociedade e alguns autores até mesmo já previram sua “morte”.

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“Nessa difícil conjuntura, o jornalismo de dados e multiplataforma, o jornalismo cidadão, o jornalismo independente e alternativo têm sido apresentados como soluções tanto para o mercado jornalístico quanto para a esfera pública dos direitos à informação e à livre expressão”, aponta Roseli Figaro, professora da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP.

Ela coordena o Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPCT), grupo que realiza na próxima terça-feira, dia 25 de junho, o seminário Ainda é possível falar em jornalismo?, em São Paulo. A participação é gratuita e as inscrições podem ser realizadas pelo formulário.

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O seminário será transmitido em tempo real pelo sistema IPTV USP.

Pesquisadores e profissionais da área debaterão o que significa fazer jornalismo na atualidade, quais são as especificidades do discurso jornalístico frente às transformações do mercado e os fundamentos que orientam a existência do jornalismo como profissão. Representantes de mídias independentes, como Jornalistas Livres e Outras Palavras, e estudiosos da ECA e de outras universidades estão entre os convidados.

O trabalho fora da grande mídia Um estudo realizado pelo CPCT analisou como profissionais organizados nos chamados “arranjos econômicos alternativos” às grandes corporações de mídia sustentam sua autonomia. Foi a partir dele que surgiu a proposta de realizar o seminário.

Segundo a professora Roseli Figaro, ao mesmo tempo em que a desestruturação de empresas tradicionais precarizou a profissão, também alavancou o surgimento de novas iniciativas. “Jornalistas começaram a se reunir com outros pares para fundar veículos que se autodenominam alternativos ou independentes. Eles se reinventaram, com lógicas próprias de produção jornalística”, observa. Para a professora, o jornalismo é uma estrutura essencial às sociedades democráticas e a diversidade de fontes sérias de conteúdo é importante para manter essa lógica.

O estudo contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do CNPq e teve como base inicial o Mapa da Mídia Independente, elaborado pela Agência Pública, com o acréscimo de novos arranjos, até se chegar a 70 iniciativas na região metropolitana de São Paulo. Profissionais de 26 delas foram entrevistados presencialmente.

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