Alexandre Aprá diz ter sofrido novas ameaças após caso ter ganhado repercussão nacional

Protegido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, o jornalista mato-grossense Alexandre Aprá informou que sofreu novas ameaças, dessa vez diretamente pelo detetive particular Ivancury Barbosa, após veiculação de uma densa matéria sobre o caso em um canal de tv aberta. O detetive teria sido contratado supostamente  pelo governador de Mato Grosso, Mauro Mendes e a 1ª dama, Virgínia Mendes, para instalar um rastreador no carro do jornalista e armar uma emboscada para incriminá-lo.

Em audiência pública na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado em Brasília, presidida pelo Subtenente Gonzaga (PDT-MG), Aprá afirmou que o detetive o ameaçou por áudio via aplicativo de mensagens. A data do contato seria próxima ao momento em que a tv aberta já teria acesso a todo o material, inclusive tentado contato com Ivancury Barbosa.

“Ele fez contato direto comigo dizendo que não havia sido contratado para me matar, mas para me associar a crimes com droga e sexo. Tenho apurado que o detetive segue em Cuiabá a minha procura, o que me deixa preocupado, pois não fui ouvido pela Polícia e tenho receio que mais esse caso não seja apurado”, disse o jornalista.

O deputado Emanuel Pinheiro Neto (PTB-MT) esteve presente na audiência e defendeu a liberdade de imprensa.

“Há limites para os governos justamente para que não haja abusos. A liberdade de imprensa existe para que não haja arbitrariedades de qualquer governo contra o cidadão. O caso Aprá nos assusta porque hoje é com ele, amanhã pode ser com qualquer pessoa que ouse criticar um governo. Não condeno ninguém, mas exijo uma investigação justa sobre esse acontecimento”, disse Emanuelzinho.

Entre os parlamentares da comissão há o debate e a vontade de instauração de uma futura CPI para investigar crimes contra a imprensa.

Alexandre Aprá atua na imprensa investigativa há mais de doze anos e é proprietário do site Isso É Notícia, que desde o início denuncia casos de contratos superfaturados do governo com publicidade e questiona a evolução patrimonial da Família Mendes.

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