Amostra que seria descartada abre janela para conhecer novos vírus

Um bioquímico do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo conseguiu descobrir novos vírus nas amostras de sangue e fezes

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O bioquímico Antonio Charlys da Costa, pesquisador do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo (IMTSB) da USP buscou amostras de sangue e de fezes para fazer um estudo. Além disso, também contou com a utilização de mosquitos que são transmissores de doenças para fazer uma outra análise.

O objetivo de Antonio era avaliar essas amostras para que fosse possível descobrir novos vírus, e foi exatamente o que aconteceu.

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Junto com sua rede de supervisores e colaboradores, o bioquímico percebeu uma variação que ocorre em um rotavírus. Na verdade, uma recombinante do vírus. Para isso, o estudo utilizou a metodologia chamada de metagenômica.

Essa recombinação do vírus, que costuma aparecer em plantas e porcos da China, estava presente em uma criança do Brasil. Em entrevista ao jornal da USP, o pesquisador afirmou ter mais de 20 mil amostras de laboratório para realizar sua pesquisa quanto à recombinante do novo vírus.

Com um verdadeiro quebra-cabeça em mãos, Costa, que tem pós-doutorado do IMTSP, analisou amostras que vêm de diversas regiões do país. A grande maioria delas é dos estados do centro-oeste, nordeste e norte.

Para ter sucesso em sua pesquisa, o bioquímico analisa as amostras de forma individual, com o objetivo de solucionar diversas sequências de dados genéticos.

Em sua pesquisa, Costa filtra suas amostras e retém delas algumas partículas do vírus, depois disso, sequencia o material, além de processar uma grande quantidade de dados. Tudo isso com o objetivo de explorar e entender a biodiversidade desse vírus.

Sobre as técnicas utilizadas, como a de sequenciamento, o pesquisador destaca que seria semelhante a buscar uma agulha em meio a um palheiro. Já a outra técnica, conhecida como metagenômica, seria como pescar com uma dinamite em um simples lago.

Com isso ele quis afirmar que utilizando a metagenômica é possível sequenciar todo o material genético existente dentro das amostras que se tem. Por meio dessa técnica, Costa afirma que é mais fácil verificar todas as possibilidades de variações do vírus.

Com o objetivo de testar essa metodologia para que a vigilância epidemiológica possa utilizá-la no futuro, essa iniciativa tem como foco agregar informações ao sistema de detecção do Ministério da Saúde, principalmente na busca de novas possibilidades de vírus que venham a se disseminar no país.

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O levantamento que o biólogo propõe tem por objetivo, segundo a professora Ester Sabino, que é supervisora da pesquisa e orientou Costa em seu doutorado, com o trabalho desenvolvido tornar possível ter uma ideia do vírus que pode chegar no território, evitando assim que toda a população seja pega de surpresa.

Porém, como nem tudo são flores,  o método que Antonio Charlys da Costa deseja adotar é caro por conta do uso de muito volume de reagentes necessários. Além disso, é preciso uma grande capacidade computacional, aumentando assim o orçamento para implantação dessa pesquisa.

Para conseguir implantar seu método, ele tem uma bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Mas que conta com doações de reagentes, que são feitas por empresas. Quanto a questão computacional, o pesquisador utiliza nuvem com computadores da Universidade da Califórnia, localizada em São Francisco, nos Estados Unidos. Local este em que o biólogo realizou parte do seu doutorado.

Biodiversidade viral

Existem cerca de 800 milhões de vírus espalhados por metro quadrado no solo em nosso planeta Terra. Esses números foram uma estimativa publicada em 2018, num estudo da Sociedade Internacional de Ecologia Microbial.

Além disso, um outro estudo publicado em 2017, pela revista Open Biology, garante que existem 87 milhões de espécies de vírus que podem contaminar organismos eucariotos, ou seja, todos que possuem núcleos celulares que são envolvidos por membranas, como plantas ou fungos e, até seres humanos.

Como resultado da pesquisa após utilizar a metodologia do pesquisador, foi possível descobrir o Cucumis melo endornavirus, que é transmitido de mosquitos para melões. Ele foi encontrado em duas amostras de fezes de seres humanos, porém o vírus não é nocivo à saúde das pessoas.

Novidades sobre a febre amarela

Além dessa descoberta, também foi possível fazer uma outra relacionada com a febre amarela, vírus que circulou em São Paulo, principalmente nos anos de 2016 a 2017.

Com a utilização do método de sequenciamento, foi possível investigar as amostras em macacos e descobrir que o vírus que circulou desde 2016 era diferente do que causou o surto de doenças nos animais em São Paulo em 2008.

Segundo o professor Élcio Leal, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará (UFPA), a partir dessa forma de estudo, foram diagnosticados dois tipos diferentes de circulação do vírus da febre amarela naquela época, um na região norte do país e outro que causou muitos casos da doença no sudeste.

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