Nota de repúdio: O Conselho Regional de Medicina do Estado de Mato Grosso (CRM-MT) vem a público repudiar o pronunciamento do vereador Osmar Isoton

Durante a Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Nova Mutum incitou a população a se automedicar e a coagir médicos do município

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Mato Grosso (CRM-MT) vem a público
repudiar o pronunciamento do vereador Osmar Isoton, que durante a Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Nova Mutum incitou a população a se automedicar e a coagir médicos do município a prescreverem tratamento precoce com medicamentos como ivermectina, vitamina D e zinco.

O CRM-MT não indica nenhum tratamento precoce em pacientes portadores da COVID – 19, e reitera a necessidade de proteção à autonomia do médico que, no atual contexto, considere adequado o emprego de tratamento medicamentoso em seus pacientes, em decisão compartilhada com estes.

A ivermectina é um remédio usado no tratamento de infecções causadas por vermes e parasitas e que ganhou destaque a partir do mês de abril, depois de um estudo da Biomedicine Discovery Institute (BDI), em Melbourne (Austrália), publicado na Antiviral Research, indicando que o medicamento foi capaz de conter o avanço e inibir a replicação do SARS-CoV-2 (Covid-19) em teste in vitro (em laboratório).

Contudo, ainda não há evidências clínicas suficientes que permitam qualquer recomendação quanto ao uso de ivermectina em pacientes com COVID-19. A adoção desse fármaco também deve partir de recomendação e acompanhamento de um profissional médico. Qualquer remédio deve ser utilizado com prescrição e orientação médica. Não recomendamos o uso de medicação por conta própria.

Até o momento, não há nem vacina nem medicamento antiviral específico para prevenir ou
tratar a Covid-19 e o uso generalizado de medicamentos deve ser desencorajado.

O CRM-MT se posiciona em defesa da autonomia do médico, que lhe garante o direito de não aderir aos protocolos de tratamento para a Covid-19. O médico é livre para prescrever (ou não) aquele que considera ser o melhor tratamento para a saúde do seu paciente. Esse é um direito irrenunciável do profissional previsto no Código de Ética Médica: É direito do médico indicar o procedimento adequado ao paciente, observadas as práticas cientificamente reconhecidas e respeitada a legislação vigente.

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