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Matemática da USP coordenará escola para aplicações em Ciência de Dados

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Entre os dias 29 de julho e 9 de agosto deste ano, o Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade organiza a Escola São Paulo de Ciência Avançada em Aprendizagem de Dados. A iniciativa tem financiamento de um programa da Fapesp, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, de aproximadamente R$ 800 mil, segundo o professor João Eduardo Ferreira, do Departamento de Ciências da Computação do IME. Ele é o coordenador do evento, que será realizado no Centro de Difusão Internacional (CDI) da USP, em São Paulo.

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Segundo o pesquisador, que responde atualmente pela Superintendência de Tecnologia da Informação (STI) da USP, o programa oferecerá, por intermédio de dez cursos avançados e palestras convidadas, uma visão integrada e fundamentos, tecnologias e aplicações em Ciência de Dados para pesquisadores, pós-doutorandos e estudantes de pós-graduação. “Ao todo serão dez pesquisadores e cinco palestrantes que irão compor o programa da Escola”, informa o docente, destacando a participação, entre outros, do professor Yaser Said Abu-Mustafá, da Engenharia Elétrica e Ciência da Computação do California Institute of Technology – Caltech, nos Estados Unidos. “Já temos mais de 670 inscrições do Brasil e do exterior”, comemora o professor, explicando que a Escola concederá 100 bolsas de estudo para os participantes selecionados, que receberão apoio para transporte, taxas de inscrição, hospedagem e refeições durante todo o evento.

Conhecimentos essenciais

Com a organização do curso, o IME demonstra sua capacidade para auxiliar na implementação e organização de projetos em Ciência de Dados (Data Science), não apenas na USP, mas em instituições de estudos e pesquisas de todo o Estado. “Temos uma vocação natural para atuarmos na área, já que em nossos quatro departamentos estudamos fundamentos de matemática, ciência da computação, probabilidade e estatística, todos conhecimentos essenciais para o desenvolvimento da Ciência de Dados”, descreve o professor Júnior Barrera, diretor do IME.

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Segundo Barrera, o IME hospeda, atualmente, diversos projetos relacionados à área de Ciência de Dados, como o Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) Neuromat e o INCT das Cidades Inteligentes, além de dez projetos temáticos da Fapesp. “E vale lembrar que, há muitos anos, o Centro de Estatística Aplicada aqui do instituto atua na solução de problemas estatísticos aplicados”, ressalta Barrera. Ele lembra ainda o Programa Interunidades de Bioinformática, que congrega oito unidades da USP: Instituto de Biociências (IB), Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), Instituto de Química (IQ), Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), Instituto de Física de São Carlos (IFSC), Faculdade de Medicina (FM) e o próprio IME, atual sede do programa.

Na década de 1990, pesquisadores do IME foram pioneiros no desenvolvimento de técnicas de programação automática para operadores de imagens a partir de exemplos de imagens e suas respectivas transformações. Tais projetos já eram desenvolvidos em colaboração e financiados por empresas de tecnologia, como a Olivetti. E, como lembra o diretor, na primeira década deste século, o IME foi fundamental para a criação da área de Bioinformática na USP, tendo liderado diferentes iniciativas como o doutorado em Bioinformática, o Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP-PRP) em Bioinformática, e grande participação na implantação da área de análise de dados de expressão gênica medida por microarrays.

Ciência é baseada em dados

A Ciência de Dados é uma área multidisciplinar de estudos que analisa essencialmente “os dados”. “Afinal, a ciência é fortemente baseada em dados”, como descreve Eduardo Ferreira. Ele a considera um setor estratégico para o desenvolvimento de um país, já que se trata de um ramo de estudo multidisciplinar que pode solucionar problemas nas três áreas do conhecimento: exatas, humanas e biológicas.

Em todo e qualquer tipo de pesquisa, de qualquer área do conhecimento, são gerados dados. “A Ciência de Dados trata da coleta, armazenamento e análise de dados que poderão, mais adiante, gerar informação e conhecimento”, descreve. E isso é possível graças à disponibilidade de alguns componentes essenciais que compõem parte das rotinas de estudos e pesquisas do IME, como o uso de instrumentos de medida; bancos de dados, processadores de alto desempenho, sistemas de comunicação; modelos matemáticos representados por algoritmos que permitem extrair informação de dados. “Entre exemplos de aplicações de ciência de dados podemos citar a análise de dados de partidas de futebol para planejamento de estratégias de jogos”, cita Eduardo Ferreira. “Bem como dados integrados de cidades para decisões relativas à segurança pública.”

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